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20/07/2025 _ por Marcelo Pessoa



Relatórios Poéticos

Nutaan 2025



            Pretendo aqui fazer um relato que desperte sensações, afetos e impressões a cerca do Nutaan 2025. Não tenho a pretensão de fazer um relato detalhado de todo esse processo intenso ao qual vivenciei ao longo desses 4 meses. Acredito dessa forma ser honesto ao apresentar minha impressão dessa jornada uma vez que os próprios acontecimentos ainda reverberam dentro de mim e acredito que continuarão ressonando, gerando reflexões durante muito tempo ainda.

 

19 de abril de 2025

A jornada até aqui...

            Mar ritmo, dança do mar, fluidez da criação, do coração, da serpente, Leão, zero completo, dormir e acordar, rito do xamã, mandala, alvo flecha, mitologia pessoal e outros procedimentos que proporcionam uma dança potente que acessa nosso imaginário e nosso subconsciente gerando um resultado cênico potente que atinge profundas camadas do entendimento, sensações, emoções e subjetividades.

            A leitura desse texto por pessoas que não participaram de algum dos Nutaan pode soar estranho e um pouco sem pé nem cabeça. O Nutaan é algo que necessita ser vivenciado para poder compreender além do raciocínio cartesiano, tão limitado quando falamos de arte.

            Esfera de energia

                        Absorve no coração

                                   7 chakras

                                               Oroboros

Matérias: Gasoso, Água, Lama que vira rocha, fogo

Mar, Mar, Mar ritmo que nos coloca em estado criativo


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Foi proposto vivenciarmos “O Percurso”. Improvisação com o espaço bem demarcado que potencializa as intenções e apreende a atenção de quem assiste.

Improvisando nossa dança pessoal entrar de costas pela lateral direita do fundo, ao chegar ao centro vira lentamente e ocupa o espaço, se dirige a plateia, volta ao centro e sai pelo lado oposto da entrada.

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Nasce em 1925 Franz Fanon e em 2025 Deivison Faustino nos oferece uma palestra para falar da sua obra e vida, a descoberta desse filosofo está gerando transformações e aprofundamentos conceituais contribuindo para meu desenvolvimento pessoal, artístico e oferecendo material teórico para as futuras criações.


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Após um intenso treinamento físico realizamos uma sessão de improvisação visando levantar material para nossas futuras criações.

O corpo já exausto diminui nossas resistências intelectuais abrindo caminho para o surgimento de material cênico potente e que em muitos momentos surpreende até mesmo quem os propõe.

Continua...


 

25 de maio de 2025

A jornada até aqui...

            Iniciamos nossa noite de trabalho com intenso treinamento e após um curto intervalo mergulhamos no mar ritmo da improvisação visando levantar material para nossas criações.            Anotações feitas apresentamos o que surgiu.


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            O que vocês esperavam que acontecesse quando tiraram a mordaça que tapava essas bocas negras? Esperavam que elas lhes lançassem louvores? O que esperavam? Que se reerguessem com adoração nos olhos? Ei-los em pé. Homens que nos olham. Ei-los em pé.

            Deivison está novamente conosco.

                        Da dupla consciência ao duplo narcisismo

                                   Qual o limite da violência?         

Violência mítica (violência da ordem) x Violência.

A respiração é tensa, não descarrega. O corpo não relaxa.

Eu só quero ser um homem entre outros homens.


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            Nova noite para criação. Lembrei agora de uma proposta de improvisação apresentado pelo Wolfgang.

“Eu não consigo respirar”


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Hoje apresentamos e analisamos nossas mandalas.


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            Último encontro com o Deivison desse ciclo.

                        O Preludio da desintoxicação. A violência desintoxica, mas...

Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor.


1.    A Dupla Consciência

A raça é uma esclerose afetiva branca.

Eu só quero ser um homem entre outros homens..., mas esse “humano” é branco.

 

Não posso crer que isso seja assim, posso crer que alguém supôs assim. Não estará essa gente toda louca ou iludida?

 

Branco = razão, bom, humano, universal e superior.

Negro = emoção, mal, natureza, específico e inferior.

 

2.    O duplo Narcisismo

Alienação: o colonizador impõe um juízo pejorativo às formas de existir do colonizado.

Amor incondicional: o colonizado aceita que “Deus não está do seu lado”. Nega a si buscando se aproximar do colonizador.

Agressividade: descobre a inutilidade da sua alienação. Retorna apaixonado à cultura rejeitada. Encantamento permanente, arrebatamento.


3.    Encruza Caliban

Branco/a = razão = superior

Negro/a = corpo = inferior

 

Inversão

 

Negro/a = corpo = superior

Branco/a = razão = inferior

 

            Não basta inverter!

 

                        Razão x Corpo

                                   Tecnologia x Tradição

                                               Desenvolvimento x Circular

                                                           Próspero x Caliban

            Assim foi meu entendimento dessa noite.            Vamos ver como isso aparece na criação.


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Conversamos a respeito do cronograma até o dia das apresentações, foram apresentados o Roteiro Grade e o Gráfico das Tensões.            Apesar do nome Roteiro Grade, em nada ele reflete a grade que aparece no nome, uma vez que junto com o Gráfico das Tensões, se apresentam como ferramentas importantes para autonomia do artista na criação cênica proporcionando cenas mais complexas e atingido camadas subjetivas mais profundas, tornando o trabalho artístico mais atraente e rico em subjetividades.

E assim passamos alguns encontros com os treinamentos, improvisações e elaborações dos nossos roteiros grades e gráficos de tensões.


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            Um grupo improvisa o Mar Ritmo a partir da sua pesquisa, buscando o que vai apresentar como cena pronta e o outro assiste. Depois inverte.

Continua...

 


7 de julho de 2025

A jornada até aqui...

            Reta final

            Apresentávamos os trabalhos, Jorge e a Janina faziam comentários e correções, apresentávamos novamente e assim foi até o dia da estreia.

Continua...

 


20 de julho de 2025

... final da jornada.

            Realizamos nesse domingo o último dia de apresentações e palestras do Nutaan 2025.

            Saio dessa jornada com muito aprendizado e com a certeza que essa experiencia irá ressoar nas minhas futuras criações.

            Como já esperava, esse período foi intenso e pediu muita dedicação e entrega, não apenas dos participantes, mas também de toda coordenação.

            Quero agradecer a oportunidade de conhecer de perto o trabalho da Taanteatro.

Wolfgang Pannek, Jorge Ndlozy, Janina Arnaud e Mônica Bernardes, obrigado pela condução ao longo desses 4 meses.

 

Programação da Taanteatro Companhia em homenagem ao centenário de nascimento de Frantz Fanon (20/07/1925 – 06/12/1961)

 

Complexo Cultural Funarte São Paulo

17 a 20 de julho de 2025

 

17/07 - Quinta-feira

20h - Sala Renée Gumiel

Solos - Ensaio aberto

NUTAAN 2025

Núcleo Taanteatro: Formação, Pesquisa e Criação

Integrantes: Ana Imani, Ângela Mendes, Brunícil Ferreira, Elisa Canola, Gustavo Braunstein, Marcelo Pessoa, Triz Cristinni e Natalia Yukie

Coordenação: Jorge Ndlozy e Janina Arnaud

 

18/07 - Sexta-feira

19h - Sala Renée Gumiel

Solos - NUTAAN 2025

 

20h - Sala Renée Gumiel

Violência em 3 atos: a política, a ética e a estética na contra-violência de Frantz Fanon

Palestra de Deivison Nkosi Faustino

 

19/07 - Sábado

18h - Sala Waly Salomão

Sociogênese, Psicologia e Educação Antirracista: Práticas psicológicas comprometidas com a descolonização do humano

Palestra de Valéria Campinas Braunstein e Ivani Oliveira

 

20h - Sala Renée Gumiel

Solos - NUTAAN 2025

 

20/07 - Domingo

Centenário de nascimento de Frantz Fanon

 

17h - Sala Waly Salomão

Máscaras brancas e antimáscaras negras: estratégias de simulacro

Palestra-performance de Médrick Varieux

 

19h - Sala Renée Gumiel

Solos - NUTAAN 2025

Código Negro - Performance com:

Jorge Ndlozy, Mónica Bernardes, Gustavo Braunstein e Triz Cristinni (dança);

Thiago Consp (pintura);

Anderson Kaltner (música);

Wolfgang Pannek (concepção e direção).

 
 
 

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Fundada em São Paulo, em 1991, pela coreógrafa brasileira Maura Baiocchi, a Taanteatro Companhia é reconhecida por sua pesquisa teatro-coreográfica continuada denominada taanteatro ou teatro coreográfico de tensões publicada em oito livros, em língua portuguesa, espanhola e inglesa; e por um repertório cênico abrangendo mais de oitenta espetáculos autorais inspirados na vida e obra de artistas plásticos, poetas e filósofos, e focados em temáticas eco-políticas, decoloniais e de gênero. Desde 2021, organiza anualmente o CineFestival Internacional de Ecoperformance. Premiados nos planos municipal, estadual, federal e internacional, os espetáculos da Taanteatro Companhia foram apresentados no Brasil e no exterior (Alemanha, Argentina, Bélgica, EUA, França, Inglaterra, Itália, Japão, Moçambique, Rússia).

 

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