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05/05/2025 _ por Brunieli Ferreira


Relatório: 05/05/2025

Palestra com Deivison Faustino: Frantz Fanon e a violência

Da dupla consciência ao duplo narcisismo.


Quando saio de casa, saio carregando quem sou, toda a minha história. Sou mulher e sou negra. Quando caminho nas ruas sei que sou mulher e sou negra. Quando me relaciono com alguém, sou mulher e sou negra. Quando vou procurar trabalho, sou mulher e sou negra.


Poderia começar esse relatório de diversas formas, algo mais acadêmico, mas vou falar da minha experiência de ser mulher e negra no mundo. Para mim, escolher essa forma de escrita é ser anticolonial.


Hoje, enquanto eu pedalava eu só conseguia pensar no relatório que eu precisava e queria entregar e estava atrasada a uma semana.


Pois bem, hoje pela manhã dei de cara com essa frase na minha rede social:



Lembrando que todos os homens cometem violências contra as mulheres negras,

indígenas, trans, brancas...são mais de 1476 feminicídios por ano, um mulher é estuprada a cada 6’ no Brasil, mais de 600 mil medidas protetivas concedidas por ano no Brasil para mulheres, 11 milhões de mulheres criando seus filhos sozinhas, homens matam próprio filho para atingir a ex, homens acediam mulheres na rua , no transporte público, homens se juntam para odiar mulheres, homens fazem guerra e matam uns aos outros.


E sim, quando escrevo HOMEM, quero dizer HOMEM mesmo hétero, nascido com um pênis e que exerce esse papel de ser homem na sociedade. Especifíco isso aqui porque percebo que a subjetividade sobre o que é ser mulher é questionada a cada segundo por homens. E o ser universal denominado Homem, não me representa, ele tem raça, gênero e classe social.


E eu sou negra, mulher e pobre


“Eu não consigo respirar”

Nos libertamos (?) do espartilho, rasgaram e queimaram o sutiã mas eu ainda não consigo respirar. Eu também quero expandir minha caixa torácica o quanto necessário para o oxigênio entrar e eu possa me sentir confortável no meu corpo.

Não sei especificar um número exato, mas acredito que a cada vez que alguém respira uma mulher é silenciada e invalidada por um homem.


Frantz Omar Fanon diz que o colonialismo molda subjetividades, mas quando se fala do que é ser mulher e sobretudo mulher negra seus signos e significados são invalidados, sempre por um homem barbudo, europeu de outro século e às vezes por homens negros que também enxerga mulheres como objeto de dominação.


“Falar é ser capaz de empregar determinada sintaxe, é se apossar da morfologia de uma outra língua, mas é acima de tudo assumir uma cultura, suportar o peso de uma civilização” (Fanon, 31 pag,). Isso também é ser mulher negra.


Agora às 12h53 do dia 19/05/2025 lendo essa frase a primeira coisa que me vem à cabeça é Matriarcado. Para mim o colonialismo começou quando começamos a querer dominar a terra.


Mesmo em uma pesquisa anticolonial o que me parece é que não existe a possibilidade de se pensar uma forma de sociedade anticolonial que não seja patriarcal, o colonialismo é patriarcal. E que os homens brancos continuem no poder e os homens negros atras deles como o cachorro do mato.


Abaixo deixo uma referência da pesquisa de Clenora Hudson que investiga como as

mulheres Afrikanas se organizavam antes do período colonial, garanto que não vão se arrepender:



Outra coisa que me preocupa é pensar em anticolonialismo e reduzir o continente africano a apenas um território ou apenas uma cultura. Se Afrika é um continente matriarcal será mesmo que as mulheres nunca tocaram tambores?


Me preocupa também uma pesquisa anticolonial achar que apenas o que é relevante seja o saber que está codificado em um pedaço de papel. Acredito que é quase impossível alguém conhecer todas as culturas do mundo e reduzir a algumas páginas. Eu acredito na força da oralidade.


Para além de como me identifico, acredito que todas as pessoas que pensam o

anticolonialismo tem um inimigo incomum, o colonialismo.


Eu quero exercer meu direito de ser mulher negra sem sentir medo, vergonha ou culpa por cada violência que sofro por um homem.


Eu quero a minha subjetividade validada.

 
 
 

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Fundada em São Paulo, em 1991, pela coreógrafa brasileira Maura Baiocchi, a Taanteatro Companhia é reconhecida por sua pesquisa teatro-coreográfica continuada denominada taanteatro ou teatro coreográfico de tensões publicada em oito livros, em língua portuguesa, espanhola e inglesa; e por um repertório cênico abrangendo mais de oitenta espetáculos autorais inspirados na vida e obra de artistas plásticos, poetas e filósofos, e focados em temáticas eco-políticas, decoloniais e de gênero. Desde 2021, organiza anualmente o CineFestival Internacional de Ecoperformance. Premiados nos planos municipal, estadual, federal e internacional, os espetáculos da Taanteatro Companhia foram apresentados no Brasil e no exterior (Alemanha, Argentina, Bélgica, EUA, França, Inglaterra, Itália, Japão, Moçambique, Rússia).

 

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