21/03/2025 _ por Angela Mendes
- Angela Mendes

- 21 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de fev.
O dia é sexta-feira 21 de março de 2025, cada performance chega no espaço com as cargas trazidas de seu cotidiano, uns calados outros introspectivos, alguns já se alongam no espaço enquanto outros trocam de roupa, a configuração vai acontecendo de forma
dinâmica. O tempo-espaço passará a ser outro assim que adentrarmos o espaço que chamo de sagrado, lugar que acessamos o que o cotidiano não permite. Iniciamos com o ritmo corporal com passos que nos levam para frente e para trás, os braços na linha do
corpo não relaxado mas presente, andar não apenas pelo hábito de andar, mas o andar com intenção, num percurso de idas e voltas seguimos sob orientação de ritmo-espaço-presença. Retomando a sequência agora nosso corpo pende para as laterais no ritmo de
corpo-capoeira, seguimos frente voltamos costas e colocamos movimentação de mãos e cabeça, ao pisar-avançar-observar, ao pisar eu observo como ato de percepção espacial, onde piso? Se colocar desperto/presente, avançando no espaço com o mesmo
gingado introduzimos movimentos de braço com a intencionalidade energética e intenção gestual. Avanço e já me sinto aterrando, a cabeça e o olhar encontram um ponto de apoio no espaço, no movimento do corpo avançando, vai tomando forma numa fluência contínua, ao caminhar duas vezes o corpo gira e segue o fluxo agora
de costas, possibilitando o olhar periférico e percepção espacial e lateralidades, sempre em harmonia com o coletivo num fluxo que remete um respirar coletivo associado ao movimento sincronizado. O corpo passa a se integrar no espaço-tempo, seguindo no gingado da capoeira faz-se a transição de uma perna para outra, observando o
peso nesta transição, as mãos arrastam o chão, uma simbologia que remete a varrimento ou varredura, o corpo que se inclina e precisa ter força para retornar, observando o tempo neste percurso, movimentos que se repetem como uma célula corporal imbuída de
signos, um corpo registro.
De frente para o outro com a base inclinada, seguimos a fluência lembrando do peso e do tempo na transição de cada passo. A primeira movimentação será cabeça em movimento horário e anti-horário, frente e costas. Seguimos agora movimentando ombros e sucessivamente depois da repetição frente e costas introduzimos o quadril, repetimos com movimentos sincronizados olhando nos olhos do outro observando o espaço seguindo o fluxo.
Agora somos orientados a uma movimentação triangular aberta, os movimentos de zig zag com os braços seguindo o fluxo energético, acompanham e num gesto de envio e recebimento de energias que encontro no espaço durante o percurso, para frente-costas-lateral. Corpo triangulando o espaço e desenhando a partir do movimento.
No segundo momento entramos na mandala de energia, iniciamos deitados no chão numa espécie de descarregar o que ainda trazemos do cotidiano, respirando profundamente 3 vezes vamos soltando e aterrando dormir-acordar, o corpo se permite relaxar se autoriza entrar no estado de desligar mas não se desintegrar. Cada um no
seu espaço encontra a melhor posição para este momento, depois de 7 minutos passamos a despertar o corpo começando pela ponta dos dedos dos pés e mãos, o corpo se espreguiça e podemos soltar sons que vier sem medo do julgamento, esfregamos pés e mãos simultaneamente e vamos seguindo do plano baixo para o plano
médio até chegarmos no plano alto e em sintonia com o grupo zeramos. Na sequência destas danças seguimos para o arco-flecha, coração, serpente e estados da matéria, estados de sucessivos exercícios sob orientação, que ativa estados corporais individuais
que se dissolvem no espaço com o coletivo, sem interferir no processo do outro, porém totalmente integrados no espaço numa única célula respiratória que ocorre em cada transição destas danças.
Finalizamos zerando respeitando o tempo de cada performance no
processo individual e coletivo.
Angela Mendes da Silva


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