20/06/2025 _ por Elisa Canola
- Elisa Canola

- 20 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
São Paulo, 20 de junho de 2025
Espaço Viver, Barra Funda
A prática aconteceu na Funarte, local onde também iremos realizar a ocupação de 100 anos de Fanon no contexto do resultado do Nutaan com os Solos.
Nesta etapa já temos a mitologia pessoal, o mandala pictórico e o Rito do Xamã realizados e o desafio é colocar em um tempo de 10 minutos a síntese dessa camada dramatúrgica.
Neste pé já tenho meu roteiro grade elaborado também, muito baseado nos escritos do meu caderno de bordo e no que aconteceu durante o rito do xamã.
Como meu tema está ligado com este aspecto que aparece pouco na minha mitologia pessoal mas que circunda meu campo subjetivo e com o qual lido de modo mais intenso no processo psicanalítico, o sentimento de raiva que me ronda foi por muito tempo negligenciado, na medida em que canalizei esse aspecto pouco nobre da minha personalidade empenhando uma auto-aflição ou uma violência contra meu próprio corpo. Assim, este buraco que aparece nas sessões e também durante a elaboração do mandala pictorico retoma com uma imagem de um corpo enraivecido, enfurecido. Somado a isso, teve o fato de eu não ter conseguido ir no show que tanto esperava ver, da Lady Gaga, e que acabou influenciando o modo como passei a me movimentar nas oficinas e na preparação do meu solo.
No dia deste ensaio já estávamos no momento de sintetizar e de construir o trajeto, as transições e também a ordem de início, meio e fim dos solos. Nos concentramos nas práticas de preparação dos mesmos, fazendo somente um aquecimento inicial para seguirmos produzindo coreograficamente o seria apresentado na Ocupação de 100 anos de Fanon.
No meu roteiro-grade aparece essa imagem da Lady Gaga enfurecida.
Embora não tenha ido ao show, acompanhei as nuances cênicas do espetáculo que acompanhou um roteiro de um rito, com 5 atos. Esse aspecto me chamou atenção pois no show da Lady Gaga ela manifesta esses estados transitórios em que procura, através da transposição do Rito para a cena, a música, a dança, a performance, evocar uma necessidade e uma conquista a partir e com o corpo. No rito do xamã eu trago essa necessidade de transformação do buraco em um receptáculo criativo, onde minhas maiores inseguranças podem se transformar em dança. Assim, eu cuspo o álcool que me faz perder o foco, evoco uma raiva que quebra os galhos e que empreende um tônus em direção à violência externalizada.
Na composição da cena esses aspectos, essa pentamusculatura também precisa acontecer, transpessoalizando o acontecimento cênico. Pensar o micro e o macro, a dimensão singular com a coletiva, a composição dos contrários parece ser o caminho mais fecundo para comunicar essa dimensão do GAP que me acompanha. O ensaio neste dia foi com enfoque nessa prática, ainda em processo mas com grande complexidade no sentido conceitual.


%20(1778%20x%20589%20px)%20(3).png)
Comentários